Coluna Filosofia de Bem Viver
Leia aqui a coluna do mês de julho de 2007. Para
saber a continuação, viaje Gol!
Shiva, o Destruidor
Mudar pode parecer difícil, mas é
preciso e possível na vida de todos nós. A energia
destruidora abre espaço para a bem-vinda renovação,
assim como após uma tempestade segue a bonanza.
Shiva é a terceira divindade da tríade do hinduísmo.
Lembrando: Brahma representa dentro de cada um de nós
o arquétipo da energia que tem o poder de criar; Vishnu
é o arquétipo da energia que mantém o
que foi criado; e Shiva representa o poder que temos de destruir
o que está errado para ceder espaço ao novo
e correto.
Talvez a mais antiga imagem venerada no mundo, segundo o americano
Joseph Campbell coloca em seu livro O Poder do Mito, Shiva
é também conhecido como Nataraja, o deus da
dança e do yoga, o dançarino cósmico,
bem como o senhor das artes marciais e o protetor dos animais.
Esse deus representa a coragem de lutar contra o que está
obsoleto. Mais: encarna a mudança constante que é
a própria essência do universo.
Toda criação será incinerada pelo calor
abrasivo do fogo da renovação no momento em
que Shiva abrir seu terceiro olho, entre as sobrancelhas.
A energia da transformação é básica
-- semelhante à energia sexual. Em Shiva essa é
uma força masculina, ligada aos conceitos de poder
e coragem. Seu equilíbrio está no encontro com
sua consorte, Shakti, que representa o amor, a compaixão
e a intuição - a energia feminina.
Dentro de nós é Shiva quem luta contra o ego,
para deixarmos de lado o egoísmo e nos concentrarmos
no que realmente importa: o bem comum - que é o nosso
único bem possível, no final das contas. Fora,
a luta desse deus é contra a ignorância do mundo.
É seu poder destruidor que nos torna capazes de desfazer
o que é nefasto, gerando espaço para a criação
do que desejarmos. Afinal, nunca é demais reforçar
que a trindade do hinduísmo é na realidade apenas
um: Brahma, Vishnu e Shiva são como que estágios
de um mesmo ciclo infinito de criação, permanência
e destruição.
Acessando o poder imenso da trindade em nós mesmos
nos tornamos ímãs que atraem para nossas vidas
tudo aquilo que desejamos. É dessa forma que nos imbuímos
da capacidade de criar nossa própria realidade. Claro,
quem quiser pode escolher o papel de vítima. Mas é
uma opção no mínimo estranha quando temos
a opção de encarnar um deus.
Você entende então por que digo e repito que
cada um de nós pode mudar o mundo? Somos deuses! E
a violência lá fora não é nada
mais do que o reflexo dos pensamentos, sentimentos e emoções
que nutrimos dentro de nosso coração. No momento
em que nos tornamos Shiva e assumimos nosso poder de destruir
o que está errado, aí sim transcendemos em direção
ao novo e correto. Só um de nós não faz
lá grande diferença - mas, juntos, temos a força
para criar um mundo melhor. Vem!
P.S. Como os opostos se unem para gerar o equilíbrio,
em nosso próximo vôo vamos saber sobre o lado
feminino de cada deus da poderosa tríade hinduísta.
Até lá!
Fundadora do CIYMAM, Centro Integrado de Yoga, Meditação
e Ayurveda, em São Paulo, e discípula do médico
indiano Deepak Chopra, Márcia De Luca dá consultoria,
cursos e palestras em empresas. Para se comunicar, acesse:
www.ciyma.com.br

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